Um encontro virtual de um grupo de 4 rapazes (como diz a Alcione!) que me deram a oportunidade de, com eles partilhar umas horas, dois dias por semana, durante três meses (de Janeiro a Março de 2009). Hoje, encontrámo-nos na Universidade da Madeira para nos conhecermos pessoalmente e partilharmos as nossas experiências com os restantes grupos virtuais. Ficou tanto por dizer...Mas estou certa que jamais encontraríamos as palavras para mostrar aos outros a nossa vivência. Há coisas que não podem ser descritas, apenas têm razão de ser quando as vivemos.
Hoje eu retratei-me na figura da Alcione. Emociona-se quando fala de tudo o que viveu connosco (DV1, DV2 e DV3). Só quem vive, sente e faz porque gosta e pelo prazer e nada mais, consegue emocionar-se e sentir saudades mesmo quando ainda não terminou. Resta-me esperar que consiga transcrever para o papel com a mesma emoção e sentimento quando escrever a sua tese. Que esta seja o reflexo e a prova escrita das nossas vivências mas acima de tudo das nossas aprendizagens.
Não me canso de repetir que não ensino nada aos meus alunos, que na sala de aula os professores podem aprender mais que os próprios alunos.
Claro que muitas vezes me sinto uma voz perdida no deserto. Quantas vezes sinto que estas minhas palavras são escutadas como ofensas para alguns colegas professores. Felizmente, de vez em quando oiço como que um eco. Uma brisa de ar fresco que me dá forças para continuar a acreditar que eu, na realidade não ensino nada na minha sala de aula. Acredito, cada vez mais que nenhum professor consiga ensinar algo que os alunos não queiram aprender. Para que uma terra dê frutos, não basta ser fértil e nela lançar uma boa semente. É preciso encontrar a melhor altura para a lançar, depois é necessário tratá-la com todo o amor e carinho.
Foi este o meu papel como tutora do DV3. Perceber que tipo de terra. Que sementes. Depois reunir as condições necessárias para que dessem algum fruto. Qual? Não fazia a mínima ideia. Para isto não há receita. Acima de tudo, é necessário sentir como eles sentem, rir como eles riem e conseguir aprender como eles aprendem. Notem que não disse, o que eles aprendem. A nossa idade e consequentemente a nossa experiência de vida obriga-nos a saber um pouco mais do que eles. Estamos aqui mas temos atrás de nós um caminho que percorremos, definido por nós próprios e pelas nossas opções. Que nos permitiu adquirir um conjunto de conhecimentos que podem ser partilhados, que servem para ser partilhados. Que foram aprendidos num contexto e numa época que não é de certo esta. Precisamos de perceber em que época estamos e que artefactos temos agora. Não adianta tentar transmitir uma série de conceitos, da mesma maneira que tantas vezes nos custaram tanto a aprender. Quantas horas perdidas em frente ao computador a tentar perceber uma linha de código ou a tentar que ele executasse determinada tarefa. E quantas vezes, já farta de tentar perceber o que os meus olhos não viam, fingia que sim, que aquilo era fácil, perceptível e seguia em frente. Tantas e tantas vezes sentada numa cadeira numa aula qualquer, perguntava o que é que eu estou aqui a fazer? Foram assim algumas das minhas aulas, há uns quantos anos atrás. Se eu conseguisse voltar lá com estes robots. De certo seria mais divertido. De certo não desistiria. Não poderia fingir, simplesmente porque se o fizesse o robot nem se mexia. Ou então todos, mesmo aqueles que apenas sabendo ler o enunciado mas não sabendo programar, conseguiriam ver que eu afinal estava a fingir.
É isto que eu quero da minha sala de aula? Que os alunos façam de conta que percebem e que se perguntem o que é que estão ali a fazer? Ou que felizes e contentes tentem resolver os exercicios, perdendo-se no tempo?
Quando comecei a leccionar, fazia o que grande parte dos professores faz. Preparava todas as aulas ao minuto, inventava os exercícios que achava que eram os mais interessantes e, assumindo o papel do dever cumprido lá ia para a aula, convicta que iria ser melhor que a anterior. Mas a pergunta deles era sempre a mesma. Para que é que isto nos serve no futuro? A frustração era total. Chegava ao fim do dia e achava que o melhor que tinha a fazer era mudar de emprego mas cada vez que pensava na vivência e nas conversas com eles, nos momentos que com eles passava no recreio, nos transportes, nos projectos … sentia saudades. Não seria feliz senão ali.
Comecei a pensar que deveria haver outra forma. E o desafio que coloquei a mim mesma foi: e se fosses tu que estivesses ali, como querias que o professor agisse? Afinal qual é a diferença entre esta tua aula e aquelas em que tu fingias perceber? Por mais que eu pensasse não encontrava respostas, apenas perguntas. Hoje, o João numa frase disse o que já há algum tempo eu começava a acreditar: o NXT pode ajudar. Não me atrevo sequer a transcrever as suas palavras, neste momento, com muita pena minha, não seria capaz mas ele tem razão. Com o robot vemos ao vivo o que muitas vezes temos dificuldade em ver no computador.
Nenhum professor por si alguma vez conseguirá ensinar um aluno a programar. O professor deve dar ao aluno condições para que ele o faça. Cabe ao aluno a difícil tarefa de se apropriar das ferramentas que o professor lhe disponibiliza para fazer delas o artefacto de mediação entre si e a aprendizagem. O aluno aprende, o professor ajuda… assistindo, imaginando o caminho que cada um dos seus alunos quer seguir e amparando-o, seguindo com ele.
Foi esta a minha função no DV3. Perceber o que cada um queria, o que cada um seria capaz e incentivá-los, às vezes empurrá-los, umas vezes a bem outras a mal mas sempre acreditando que estava a contribuir para a sua realização e felicidade. A vê-los aprender. Não posso permitir aos meus alunos que me deixem passar pelas suas vidas e permitir que tudo fique na mesma. Da mesma forma, jamais me permitirei a não crescer um bocadinho e a não estar sempre aberta a novas aventuras.
Hoje acredito, sem quaisquer reservas que esta é a melhor forma de aprender. Não restem dúvidas que o que estes alunos aprenderam em 3 meses de DV3 foi muito mais do que eu alguma vez aprendi naquelas aulas chatas e nas quais estive que estar porque alguém ou alguma coisa assim o exigiam.
Nas reuniões do DV3 não houve faltas, houve por vezes contratempos que não nos permitiram estar presentes. Sempre que houve atrasos, houve pedidos de desculpa porque somos humanos e imprevistos acontecem. Houve muita, muita brincadeira mas muito respeito pelos outros e pelo trabalho que cada um desenvolvia.
Contrariamente ao que se escreve na maioria das actas das reuniões de conselhos de turma das escolas, aqui os “alunos” foram muito responsáveis, muito empenhados e muito trabalhadores.
Hoje eu retratei-me na figura da Alcione. Emociona-se quando fala de tudo o que viveu connosco (DV1, DV2 e DV3). Só quem vive, sente e faz porque gosta e pelo prazer e nada mais, consegue emocionar-se e sentir saudades mesmo quando ainda não terminou. Resta-me esperar que consiga transcrever para o papel com a mesma emoção e sentimento quando escrever a sua tese. Que esta seja o reflexo e a prova escrita das nossas vivências mas acima de tudo das nossas aprendizagens.
Não me canso de repetir que não ensino nada aos meus alunos, que na sala de aula os professores podem aprender mais que os próprios alunos.
Claro que muitas vezes me sinto uma voz perdida no deserto. Quantas vezes sinto que estas minhas palavras são escutadas como ofensas para alguns colegas professores. Felizmente, de vez em quando oiço como que um eco. Uma brisa de ar fresco que me dá forças para continuar a acreditar que eu, na realidade não ensino nada na minha sala de aula. Acredito, cada vez mais que nenhum professor consiga ensinar algo que os alunos não queiram aprender. Para que uma terra dê frutos, não basta ser fértil e nela lançar uma boa semente. É preciso encontrar a melhor altura para a lançar, depois é necessário tratá-la com todo o amor e carinho.
Foi este o meu papel como tutora do DV3. Perceber que tipo de terra. Que sementes. Depois reunir as condições necessárias para que dessem algum fruto. Qual? Não fazia a mínima ideia. Para isto não há receita. Acima de tudo, é necessário sentir como eles sentem, rir como eles riem e conseguir aprender como eles aprendem. Notem que não disse, o que eles aprendem. A nossa idade e consequentemente a nossa experiência de vida obriga-nos a saber um pouco mais do que eles. Estamos aqui mas temos atrás de nós um caminho que percorremos, definido por nós próprios e pelas nossas opções. Que nos permitiu adquirir um conjunto de conhecimentos que podem ser partilhados, que servem para ser partilhados. Que foram aprendidos num contexto e numa época que não é de certo esta. Precisamos de perceber em que época estamos e que artefactos temos agora. Não adianta tentar transmitir uma série de conceitos, da mesma maneira que tantas vezes nos custaram tanto a aprender. Quantas horas perdidas em frente ao computador a tentar perceber uma linha de código ou a tentar que ele executasse determinada tarefa. E quantas vezes, já farta de tentar perceber o que os meus olhos não viam, fingia que sim, que aquilo era fácil, perceptível e seguia em frente. Tantas e tantas vezes sentada numa cadeira numa aula qualquer, perguntava o que é que eu estou aqui a fazer? Foram assim algumas das minhas aulas, há uns quantos anos atrás. Se eu conseguisse voltar lá com estes robots. De certo seria mais divertido. De certo não desistiria. Não poderia fingir, simplesmente porque se o fizesse o robot nem se mexia. Ou então todos, mesmo aqueles que apenas sabendo ler o enunciado mas não sabendo programar, conseguiriam ver que eu afinal estava a fingir.
É isto que eu quero da minha sala de aula? Que os alunos façam de conta que percebem e que se perguntem o que é que estão ali a fazer? Ou que felizes e contentes tentem resolver os exercicios, perdendo-se no tempo?
Quando comecei a leccionar, fazia o que grande parte dos professores faz. Preparava todas as aulas ao minuto, inventava os exercícios que achava que eram os mais interessantes e, assumindo o papel do dever cumprido lá ia para a aula, convicta que iria ser melhor que a anterior. Mas a pergunta deles era sempre a mesma. Para que é que isto nos serve no futuro? A frustração era total. Chegava ao fim do dia e achava que o melhor que tinha a fazer era mudar de emprego mas cada vez que pensava na vivência e nas conversas com eles, nos momentos que com eles passava no recreio, nos transportes, nos projectos … sentia saudades. Não seria feliz senão ali.
Comecei a pensar que deveria haver outra forma. E o desafio que coloquei a mim mesma foi: e se fosses tu que estivesses ali, como querias que o professor agisse? Afinal qual é a diferença entre esta tua aula e aquelas em que tu fingias perceber? Por mais que eu pensasse não encontrava respostas, apenas perguntas. Hoje, o João numa frase disse o que já há algum tempo eu começava a acreditar: o NXT pode ajudar. Não me atrevo sequer a transcrever as suas palavras, neste momento, com muita pena minha, não seria capaz mas ele tem razão. Com o robot vemos ao vivo o que muitas vezes temos dificuldade em ver no computador.
Nenhum professor por si alguma vez conseguirá ensinar um aluno a programar. O professor deve dar ao aluno condições para que ele o faça. Cabe ao aluno a difícil tarefa de se apropriar das ferramentas que o professor lhe disponibiliza para fazer delas o artefacto de mediação entre si e a aprendizagem. O aluno aprende, o professor ajuda… assistindo, imaginando o caminho que cada um dos seus alunos quer seguir e amparando-o, seguindo com ele.
Foi esta a minha função no DV3. Perceber o que cada um queria, o que cada um seria capaz e incentivá-los, às vezes empurrá-los, umas vezes a bem outras a mal mas sempre acreditando que estava a contribuir para a sua realização e felicidade. A vê-los aprender. Não posso permitir aos meus alunos que me deixem passar pelas suas vidas e permitir que tudo fique na mesma. Da mesma forma, jamais me permitirei a não crescer um bocadinho e a não estar sempre aberta a novas aventuras.
Hoje acredito, sem quaisquer reservas que esta é a melhor forma de aprender. Não restem dúvidas que o que estes alunos aprenderam em 3 meses de DV3 foi muito mais do que eu alguma vez aprendi naquelas aulas chatas e nas quais estive que estar porque alguém ou alguma coisa assim o exigiam.
Nas reuniões do DV3 não houve faltas, houve por vezes contratempos que não nos permitiram estar presentes. Sempre que houve atrasos, houve pedidos de desculpa porque somos humanos e imprevistos acontecem. Houve muita, muita brincadeira mas muito respeito pelos outros e pelo trabalho que cada um desenvolvia.
Contrariamente ao que se escreve na maioria das actas das reuniões de conselhos de turma das escolas, aqui os “alunos” foram muito responsáveis, muito empenhados e muito trabalhadores.
Obrigada a todos por me terem permitido aprender tanto convosco…

2 Comentários:
A Paula fez-me pensar na minha trajectória de vida, nas minhas escolhas. Desde pequena estava definida a minha profissão, eu queria ser professora. Lembro de me olhar ao espelho e dizer: Quando crescer quero ser alta, loira e ser professora. Não sei que idade tinha mas com certeza ainda não tinha passado para a 4ª classe. Até então tinha tido professoras muito meigas e que até hoje recordo. Esse momento definiu a minha vida. Fiz o curso de Magistério e comecei a leccionar com os pequeninos. Passei por todos os anos mas nunca tive coragem de ensinar a ler pois achava que só uma pessoa muito especial o podia fazer. Continuei os meus estudos e fiz o curso de Matemática. Gostei muito do curso mas não foi o primeiro curso que comecei. Na verdade não tenho a paixão que muitos colegas tem pela matemática mas sim pela sala de aula, pelo desafio de ver os meus alunos trabalharem com prazer. Cada vez mais eu queria aprender como ensinar os conteúdos de uma maneira mais significativa e continuei o meu percurso de aprendizagem tendo os meus alunos como cobaias mas dando o meu melhor em cada aula. O melhor momento que me lembro foi numa turma de matemática quando estudávamos Trigonometria. Nesta escola dávamos toda a trigonometria no 2º ano do Secundário (Relações, Transformações, Equações, Inequações) Eram alunos que trabalhavam o dia inteiro e estudavam a noite. Trabalhamos o conteúdo em pequenos grupos e eles chegaram sozinhos as fórmulas. Resolviam qualquer exercício que lhes apresentasse sem dificuldade. Não houve testes, eles sabiam que sabiam. Vim parar a Madeira e outras oportunidades surgiram e outros desafios se apresentaram. E eu continuo a aprender, não mais como ensinar, mas sim como os alunos aprendem. O Droide Virtual foi com certeza uma experiência marcante neste meu caminho pois mostrou-me um mundo de aprendizagem totalmente diferente do que até então tinha vivido.
Alcione
Pensamentos Filosoficos de uma Vida! Beijinho Paula!!! :)
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